Aldeia Adormecida

A casa guarda a gente e tudo que a gente guarda. É o abrigo do sonhador como a noite é o refúgio dos sonhos. O que acorda dentro de uma casa que dorme? Nesta exposição, somos convidados a fazer uma delicada caminhada noturna por uma aldeia miúda que já caiu no sono. Deitamos com cuidado em suas estradas sinuosas, aproximamos os nossos olhos das pequenas portas abertas e fazemos visitas com o olhar, revelando segredos, imagens, poesias, memórias e desimportâncias - moradores de cada interior onírico, real e imaginário, tão íntimo que, afinal, pode até ser o interior de nós mesmos.

Visitada por centenas de pessoas durante sua estreia, no VI Festival Primeiro Olhar - festival internacional para a primeira infância do DF, em 2019, Aldeia Adormecida consiste em uma exposição-instalação, direcionada para crianças de 0-5 anos e os adultos que com elas convivem, com obras que unem artesanato e poesia para evocar poéticas sobre o símbolo da casa. Qual criança não quer desvendar o que tem no interior das coisas e até mesmo se colocar dentro delas? Indo sempre atrás dos segredos guardados nas caixas e baús, nos armários, no porão, debaixo da cama, da pedra ou da folha, em cima da estante ou no topo da árvore, por dentro dos brinquedos quebrados ou da carcaça de um inseto morto, como se procurasse em todos os lugares a memória frágil de quando era, por si só, um segredo guardado no corpo da mãe. Se o útero pode ser considerado a nossa primeira casa, todas as outras são tão somente um eco desse nosso abrigo primordial. O colo, o berço, a rede, a cama, o canto. Qual criança, depois de tanto brincar, não encontra somente ali o seu lugar para sonhar em paz? Nesta criação, Gabriel Guirá compõe um ambiente que acolhe os sonhadores: uma aldeia em miniatura cujas casas são metáforas das nossas mais antigas memórias, aquelas que só sabemos em sonhos, pois são segredos que trouxemos desde antes de nascer.

FICHA TÉCNICA

 

 

CRIAÇÃO

GABRIEL GUIRÁ

FOTOGRAFIA

JULIANA CARIBÉ